“Numa equipa de clube portuguesa já há uma estrutura acima”



O jovem português surpreendeu o ciclismo nacional ao anunciar a sua troca de equipa a meio da temporada. Falamos com ele para perceber tudo.


Tiago Antunes é um dos mais promissores jovens ciclistas nacionais. Depois de um ano recheado de bons resultados, com especial destaque para a sua participação na Ronde de lIsard, em que terminou no 3º lugar da 4ª etapa e no 10º posto da Geral, tornou-se o segundo português a rumar ao Centro Mundial de Ciclismo. Agora, poucos meses volvidos, o trepador deixa a Suíça para voltar a integrar a Aldro Team, onde já havia estagiado no verão passado. A Portuguese Cycling Magazine esteve à conversa com Tiago Antunes para saber mais sobre esta mudança.

 

«Não saí a mal», esclarece o jovem, reconhecendo que «foi uma experiência enriquecedora», em que aprendeu bastante, mas o calendário que lhe era proposto acabou por o forçar a mudar de ares. «Realmente, o calendário não estava a ser aquilo que me tinham prometido», especialmente porque a equipa do Centro Mundial de Ciclismo não se adaptava às caraterísticas do português, que, como trepador e corredor por etapas, não estava a ter a melhor preparação para os seus objetivos ao participar essencialmente em provas de um dia.

 

Daqui em diante, com o calendário que lhe era proposto, o atleta crê que «não conseguiria preparar bem» as suas participações na Ronde de l’Isard e na Corrida da Paz, provas onde ainda pretende brilhar, pelo que decidiu regressar à espanhola Aldro Team, onde sabia que havia deixado uma porta aberta. Assim, Tiago sumariza bem a questão: a razão foi mesmo por entender que «com a Aldro vou ter mais oportunidades de mostrar o meu valor».

 

Também as condições do Centro Mundial de Ciclismo não conquistaram Tiago Antunes, assumindo considerar que «numa equipa de clube portuguesa ou na Aldro já há uma estrutura acima» da que lá se encontra. Ainda assim, não deixa de referir que este tem maior importância para atletas de outros países, não hesitando em assegurar que «para países pouco desenvolvidos, o que encontro na UCI é bastante bom».

 

Quanto ao restante da temporada, os objetivos são «continuar a melhorar os resultados do ano passado» na Ronde de l’Isard, que esta época correrá pelas cores da Aldro e não pela seleção, e na Corrida da Paz, aí sim ao serviço da equipa nacional. A participação nestas corridas tem também uma segunda ambição, poder concretizar uma última intenção no final da época, onde «o objetivo é tentar estar bem na Volta a França do Futuro», e daí a necessidade de ajudar Portugal a conseguir o apuramento para a prova gaulesa.

 

No entanto, não só nos palcos internacionais poderemos observar Tiago Antunes, que revela que «a Aldro tem uma perspetiva de entrar no mercado português», pelo que tentará usar a adição do jovem talento como uma vantagem para marcar presença na «Volta a Portugal do Futuro e talvez o GP JN ou GP Joaquim Agostinho». «E, claro, os Campeonatos Nacionais» também contarão com o homem do Bombarral.

 

Aproveitando a sua participação na recente Liège-Bastogne-Liège Sub 23 ganha pelo compatriota João Almeida, Tiago falou-nos da dureza desta prova, que «quando vemos pela TV parece tudo muito fácil, mas nunca sonhamos um dia passar naquelas estradas». De qualquer forma, mesmo admitindo que «o percurso é duro», a chave parece ser tratar-se de uma prova onde «todos querem vencer, o que a torna mais dura que uma corrida normal». E para domingo, quanto aos Elites? A aposta é inequívoca, «Alejandro Valverde é o máximo favorito, tem tudo do seu lado para voltar a vencer».

 

Na tónica da vitória de João Almeida, Tiago Antunes está convencido que os bons resultados da sua geração se devem também às condições hoje disponíveis para os atletas, que «há dez anos talvez não tivessem as mesmas», admitindo ainda que hoje é mais fácil chegar às equipas estrangeiras porque «os resultados que os portugueses lá fora obtêm abrem a porta aos outros».

 

Para finalizar, desafiamo-lo a revelar os seus sonhos para o futuro da sua carreira e este não hesita em afirmar que «gostava de representar Portugal nos Jogos Olímpicos, a prova mais importante do mundo do desporto». No entanto, Tiago não se fica por aqui e conclui afirmando a sua vontade de «ir à Volta a França», desabafando acreditar que participar na Grande Boucle «deve ser algo sensacional».

 

 

Podes ouvir abaixo a entrevista completa da Portuguese Cycling Magazine ao Tiago Antunes.

 

 



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