luciano Escreveu:
Foi uma Volta com bastante incerteza e com o habitual caos táctico das equipas portuguesas.
A W52-FC Porto ganha a geral (como vem sendo hábito) mas este foi talvez o ano em que tiveram mais dificuldades. O facto de não terem um líder definido desde o início parece-me que prejudicou a equipa.
A Efapel não ganhou a geral por várias razões mas duas principais: colocaram pessoal a abastecer onde não devia e mandarem o Frederico com o Amaro quando sabem que em confronto directo no CRI o Frederico perde quase para qualquer um. No entanto, ganharam 6 etapas em 11 o que é notável com o Rafael Reis a ser a grande figura.
O Tavira para mim foi a surpresa pois não esperava um Marque tão forte e não fossem as desistências e a queda do Veloso podiam ter tido um papel ainda mais principal do que tivera.
Nas restantes equipas portuguesas destaque para a Antarte-Feirense que ganha a camisola da montanha com o Bruno Silva.
As equipas estrangeiras acabaram por se apresentar a um nível mais alto que noutros anos com destaque para a Movistar que com uma equipa de jovens (que vão certamente levar daqui uma lição para a vida) conseguiu ganhar a camisola da juventude e fizeram boa figura assumindo a corrida algumas vezes. Destaque também para a Rally Cycling que ganha 2 etapas e a Israel que vence uma.
Positivos:
Rafael Reis (vence 4 etapas)
Kyle Murphy(vence 2 etapas)
Amaro Antunes (Vence novamente a geral)
Abner Gonzalez (consegue intrometer-se entre os favoritos das equipas portuguesas, e bem sabemos como é difícil alguém que vem de fora fazer isso.
Negativos:
Casos de Covid que condicionaram muito a Volta com desistências de equipas inteiras, nomeadamente a RP Boavista quando iam vestir de amarelo.
Clubite - este ambiente de rivalidade pouco saudável que se vai vendo e do qual temos tido tristes exemplos, não tem lugar no ciclismo.
Uma nota final para o percurso: Dizemos isto todos os anos, mas acho que está na hora de fazer uma reforma ao percurso. A organização repete ano após ano "este ano vai ser a Volta com mais montanha de sempre" ou "este é o percurso mais duro de sempre" mas na verdade o que temos são finais em rampas que favorecem só e apenas um tipo de corredores mais explosivo. Chegadas ao sprint também fazem falta e foram durante algum tempo uma oportunidade para trazer ao nosso país bons corredores dessa especialidade. Para a Volta ser dura basta fazer 3 ou 4 etapas de montanha a sério, não é preciso acabar sempre a subir. A etapa da Serra da Estrela parece-me que tem a ganhar em terminar nas Penhas da Saúde e também ficava a ganhar se explorassem a vertente sul da Serra. A etapa da Sra da Graça ganhou muito com estas novas subidas que foram introduzidas nos últimos anos mas parece-me que o Barreiro no dia em que levar alcatrão novo em toda a subida vai deixar de fazer tantas diferenças. Gostava de ver experimentada uma combinação Carneiro, Marão, Barreiro/Alvão, Sra da Graça ou o regresso do Viso. Depois destas 2 etapas rainhas era ir rodando mais duas etapas de montanha mais a sério e escolher cada ano duas regiões onde fazer entre Gerês, Barroso, Douro, Montemuro/São Macário,...
Claro que um dos grandes obstáculos às chegadas ao sprint é o facto de termos quase todas as vilas/cidades do interior construídas em elevações mais ou menos pequenas. Mas temos tido poucas chegadas a zonas do litoral e quando temos tentam sempre meter pequenos topos. Agora claro que tudo isto depende de quem paga, mas quem desenha podia ser mais criativo.
Make S.Macário great again! Gostava de ver S. Macário como MTF ou usado com chegada em S.Pedro do Sul, mas não sei a CM de lá tem dinheiro para estas aventuras. Fazer a chegada em Viseu como da última vez que passaram por lá acaba por ser um desperdício do potencial da subida.