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Está a começar a Liga Virtual 2024! O Draft World Tour já arrancou. Está atento a este tópico do nosso fórum!

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MensagemEnviado: 15 Out 2016, 09:46 
Dobradinha no Tour
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Registado: 29 Set 2015, 17:43
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Bom dia!

Já que a minha crónica sobre Andorra teve bastante sucesso, decidi dar continuação a este tipo de crónicas, também a pedido de alguns membros do fórum. Lamento desiludir mas não encontrei nenhum país como Andorra, que estivesse atualmente sem grande tradição no ciclismo e se pudesse começar a tornar uma potência nos próximos dez anos. Por isso, desta vez, viajaremos até a um país onde o ciclismo já está numa fase mais avançada de desenvolvimento. Falo do país dos fjordes, a Noruega e da sua geração de jovens ciclistas de grande qualidade que surgiu há 1/2 anos atrás e que já mostrou o que vale nas grandes voltas este ano.

Fatores responsáveis pelo desenvolvimento desta geração

Não encontrei nada escrito sobre isto mas presumo que os dois principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento desta geração sejam:

1º - Depois do sucesso de Thor Hushovd no estrangeiro e da promessa que foi Edvald Boasson Hagen no início da década, presumo que organizadores, treinadores e managers tenham começado a acreditar na possibilidade de transformar a Noruega numa potência do ciclismo. Exemplo disso temos a criação da Arctic Race of Norway por parte da ASO, uma corrida com um percurso de média montanha que dá uma hipótese a todos os jovens noruegueses para se mostrarem perante o pelotão internacional.

2º - A Noruega é o país com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais elevado do mundo. A qualidade do ar é muito melhor do que no resto da Europa e juntando este fator com o do relevo existente na Noruega, não é preciso sair das cidades para ter um bom treino de ciclismo. Além disso, o investimento no ciclismo tem estado a aumentar com a criação de ciclovias nas cidades.

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Principais nomes (do melhor ao pior)

Sondre Holst Enger - Temos que admitir: este jovem norueguês de 22 anos pode muito bem alcançar o nível de Alexander Kristoff ou até tornar-se mais completo ainda visto que pesa 69 kg face aos 78 kg do seu compatriota mais experiente. Foi dos sprinters que mais me interesse despertou este ano. Só tive conhecimento dele quando ele venceu aquela chegada dificílima em Zagreb, no fim da Volta à Croácia, numa chegada em que nomes como Giacomo Nizzolo, que normalmente gostam desse tipo de chegadas, não conseguiram estar na discussão. Depois veio o grande desafio para este jovem com a estreia no Tour de France deste ano, onde fez uma prova espetacular, desde aquela dança ridícula na apresentação de equipas até ao 3º lugar na etapa de Berna.
O que esperar dele? Algumas vitórias em grandes voltas (acho que o Giro lhe assentará perfeitamente) e eventualmente uma camisola dos pontos. Pode ser um dos favoritos para um dia vencer um mundial de ciclismo num terreno não muito acidentado.

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Odd Christian Eiking - Um jovem corredor de apenas 21 anos. Saltou para o panorama internacional em 2014 e logo com um 2º lugar no Giro Valle d'Aosta Mont Blanc. Acabaria por também se mostrar muito bem em etapas de média montanha no Tour de l'Avenir. Ajudou à vitória do seu compatriota Bystrom em Ponferrada e continuou mais um ano no escalão sub 23, conseguindo em 2015 excelentes resultados em corridas/etapas acidentadas, tanto a nível nacional como a nível internacional. Destacou-se o seu 6º lugar na Arctic Race. Acabou por ser contratado pela FDJ e em 2016 teve a oportunidade de se estrear nas grandes voltas, chegando a estar na fuga por um dia ou dois na Vuelta a España.
O que esperar dele? Acho que podemos ter aqui um forte candidato à vitória em grandes clássicas e até mesmo monumentos. Temos de ter em conta que ele tem menos 3 anos de idade que Sven Erik Bystrom e já conseguiu se adaptar melhor ao World Tour que o seu compatriota.

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Sven Erik Bystrom - Um jovem "sprinter-puncher" que era praticamente desconhecido até à sua vitória no mundial de sub 23 em Espanha, fazendo um ataque explosivo na subida final. Pouco depois, foi contratado pela Katusha e tem sido uma peça importante no apoio ao seu compatriota Alexander Kristoff, nomeadamente nas clássicas. O ano passado, mostrou-se bem nos 3 Dias De Panne, no Tour des Fjords e na Arctic Race of Norway.
O que esperar dele? Não espero um futuro grandioso por parte dele, pelo menos enquanto estiver na sombra de Kristoff. Eventualmente uma vitória numa grande volta ou numa Amstel Gold Race marquem a carreira deste jovem.

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Kristoffer Skjerping - Destacou-se desde logo em júniores com bons resultados em provas internacionais tanto em 2010 como em 2011. Em 2012 saltou para o escalão sub 23 e conseguiu manter o mesmo nível, conseguindo resultados interessantes tanto em clássicas como em provas por etapas. Mas a sua melhor época como ciclista foi sem dúvida a de 2014, onde conseguiu um segundo lugar na Volta a Flanders para sub 23, um 5º lugar na etapa rainha da Volta à Noruega (ganha por Bauke Mollema), uma vitória em etapa no Tour de l'Avenir, graças a uma fuga que teve sucesso e por fim uma medalha de bronze nos mundiais ganhos por Bystrom. Mas pode ter cometido um grande erro ao assinar pela Cannondale-Garmin (agora Cannondale-Drapac), porque esta equipa já mostrou como tem falhado na parte de desenvolver os jovens. Depois de uma primeira metade da época discreta, acabou por lhe sair melhor a outra metade, onde conseguiu bons resultados em percurso acidentados (2º e 5º em etapas do Tour de Alberta e 13º no Giro del Piemonte).
O que esperar dele? Apesar de não ter começado com o pé direito no World Tour, acho que poderá vir a fazer coisas interessantes em clássicas, tal como muitos dos seus companheiros de geração.

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Sindre Lunke - Talvez o único trepador puro pertencente a esta geração. Quase não competiu fora do seu país de origem em 2013 mas em 2014 afirmou-se no Giro Valle d'Aosta Mont Blanc com um 5º lugar. No Tour de l'Avenir, as coisas não lhe correram tão bem e acabou por ficar às portas do top 10. Depois de ser mais um na ajuda à conquista do título por parte de Sven Erik Bystrom, foi contratado pela Giant-Alpecin. O jovem Lunke de 23 anos acabou por fazer uma temporada muito discreta, acabando mesmo assim por se estrear nas grandes voltas, na Vuelta a España, onde também andou muito escondido.
O que esperar dele? Atualmente é muito difícil prever o que esperar deste jovem porque, para ser sincero, basicamente ainda não o vimos correr. No mínimo que consiga uma camisola da montanha ou algumas etapas em grandes voltas.

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Daniel Hoelgaard - Um puro sprinter que desde logo conseguiu bons resultados, nomeadamente em provas 2.2 (categoria semelhante à da Volta ao Alentejo atualmente), conseguindo até algumas vitórias. Em 2015, conseguiu estar na discussão da geral da Volta à Bretanha e da Volta à Normandia, duas provas destinadas aos sprinters. Conseguiu também estar na discussão de sprints no Tour de l'Avenir e com um pouco de surpresa a FDJ contratou-o. Mas em 2016, acontece que Daniel Hoelgaard não conseguiu fazer nada de relevante, à exceção do top 10 na Bretagne Classic.
O que esperar dele? Não vejo grande futuro neste Daniel Hoelgaard. No mínimo, vencerá algumas etapas em provas do World Tour.

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A próxima geração

Como no ciclismo a renovação dos jovens acontece anualmente, deixo aqui alguns nomes da qual não falarei detalhadamente que integraram a próxima geração de ciclismo norueguês, que também terá por certo grande qualidade:

Kristoffer Halvorsen (sprinter)
Frederik Galta (puncher)
Amund Groendhal (sprinter)
Markus Hoelgaard (sprinter)
August Jensen (sprinter que passa bem colinas)
Truls Korsaeth (contrarrelogista)

Arctic Race of Norway

Se falarmos do desenvolvimento do ciclismo norueguês, não podemos deixar passar esta corrida que celebrou o seu 4º aniversário este ano. Tenho que confessar que sou um grande fã não só desta corrida mas também da criação de outras provas de ciclismo em diferentes pontos do globo. Na sua primeira edição, em 2013, tivemos uma luta bastante interessante nas bonificações entre Kenny Van Hummel e Thor Hushovd, uma luta em que o "deus do trovão" acabaria por levar a melhor. No ano seguinte, as chegadas em alto estrearam-se com um final bastante complicado em Nordkapp, ganho por Lars Petter Nordhaug e com uma chegada de 1ª categoria "com pouco sal", chamada Kvænangsfjellet, onde um grupo de cerca de 40 unidades chegou junto ao fim. Nesse dia, Simon Spilak venceu e Steven Kruijwsijk (ambos ganharam 15 segundos ao tal grupo) levaria a geral mesmo após uma etapa em circuito louca em Tromso, onde Alexander Kristoff quase conseguiu roubar a liderança ao ciclista holandês. Em 2015, Ben Hermans venceu a etapa-rainha ultrapassando Rein Taaramae nos últimos 200 metros. No entanto, o estónio ainda não tinha proferido a sua última palavra e na etapa final em Narvik, tivemos mais uma vez uma etapa em circuito louca, onde Ben Hermans ainda sofreu para manter o seu top 10. Mas a BMC acabaria por receber um prémio de consolação de Silvan Dillier, que venceu nesse dia. Em 2016 tudo foi muito mais simples: Gianni Moscon venceu a etapa-rainha e a geral, visto que este ano não tínhamos uma etapa em circuito acidentada.

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E assim concluímos o tópico desta semana. Voltarei daqui a uma semana e já com um assunto diferente do tema das duas últimas semanas.


Editado pela última vez por Sadinus em 16 Out 2016, 16:49, num total de 5 vezes.

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MensagemEnviado: 15 Out 2016, 11:03 
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Sadinus Escreveu:
Bom dia!

Já que a minha crónica sobre Andorra teve bastante sucesso, decidi dar continuação a este tipo de crónicas, também a pedido de alguns membros do fórum. Lamento desiludir mas não encontrei nenhum país como Andorra, que pudesse começar a tornar-se uma potência de ciclismo nos próximos dez anos. Por isso, desta vez, viajaremos até a um país onde o ciclismo já está numa fase mais avançada de desenvolvimento. Falo do país dos fjordes, a Noruega e da sua geração de jovens ciclistas de grande qualidade que surgiu há 1/2 anos atrás.

(continua)


Diria que é o país mais desenvolvido da Escandinávia no que ao ciclismo diz respeito, depois de ter andado décadas atrás da Dinamarca. Continua com o bom trabalho Sadinus.


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MensagemEnviado: 21 Out 2016, 01:01 
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Um conselho:

Usa o Notepad, vai escrevendo lá à medida que tens tempo com os códigos já prontos para publicação no fórum, e depois publica tudo junto quando estiver completo.

Assim o pessoal não sabe que já tens tudo escrito, eu por exemplo vi o tópico quando estava tudo por acabar e nunca mais me lembrei de ver se já estava o texto completo. :P

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MensagemEnviado: 21 Out 2016, 21:43 
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Gostei bastante das tuas rubricas sobe Andorra e esta sobre a Noruega...pegar em países sub desenvolvidos na modalidade ou que começaram a emergir nos últimos anos é muito interessante. Fico à espera de mais alguma surpresa tua no que aos países diz respeito.


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