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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 09 Mar 2014, 21:48 
Sportingado
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Random stuff



Eu sei que quase todos vocês gostam de The Strokes e, apesar de já conhecer na altura, passei a ouvir mais à vossa custa. Obrigado malta.



Empire of the Sun é um estilo de música um bocado mais "particular", mas é bastante fácil de gostar e é bastante viciante.



Descobri Kansas e esta música em particular à conta de Supernatural. A série desceu de qualidade, mas a nível musical têm sempre coisas geniais. Vale a pena darem uma vista de olhos às coisas que eles passaram lá e vão descobrir muita coisa dentro do género de Kansas e com a qualidade destes.



Friday Night Lights <3. A série é genial, vejam.
Quanto à música em si, o Tony Lucca tem imensa qualidade mas andou meio perdido e entrou, inclusivamente, no The Voice onde fez sucesso.
PS: A música não vai entrar na playlist do Spotify porque não encontrei a versão original. Caso encontre, eu depois acrescento.



O Marco já falou sobre Franz Ferdinand e a minha opinião vai de encontro à dele, portanto não tenho muito mais para acrescentar. Sempre gostei muito desta música em particular, o ritmo é contagiante e viciante, tal como grande parte dos trabalhos deles. Se puderem ver ao vivo, vejam, é melhor ainda.



Acredito que todos vocês conheçam The Kooks. Os britânicos são uns abençoados no que a boa música diz respeito e hoje em dia esse tipo de música vai tendo cada vez mais sucesso fora de portas, dos quais o exemplo mais claro é provavelmente os Arctic Monkeys, que não constam aqui porque vão fazer parte das playlists de praticamente todos vocês e não estou para andar a saturar muito. :P




Eu disse que gostava disto e deixo aqui 2 pequenos exemplos. Do que conheço da malta aqui do fórum, não é algo que muita gente aprecie, mas acho que vale a pena, caso não conheçam decentemente, ouvir. Música tem várias facetas, tem vários ritmos, mas existe material de qualidade dentro de todos os estilos e acho que o devíamos procurar e dar mérito/reconhecimento.



Lutaram muito para conseguirem fazer o estilo de música deles vincar no nosso país e hoje em dia podem dizer que são das bandas mais acarinhadas. Ainda bem que assim é, qualquer um deles tem imensa qualidade e são 2 personagens bastante engraçadas.
13 mulheres... são 13 mulheres. É impossível não adorar isto. :P



Não sei se conhecem Starsailor ou não, mas é algo bastante fácil de se gostar. O James Walsh tem uma voz que não fica indiferente a ninguém e, quer o trabalho dele a solo, quer aqui, são algo de muito bom.



O Aloe Blacc é um génio, ponto. Toda a gente conhece o "I Need A Dolar" dele, mas acho que essa é capaz de ser a música com menor qualidade que ouvi dele até hoje, sendo que já é bastante boa. É mais um daqueles músicos que é melhor do que 99% da indústria mas praticamente ninguém lhe dá o valor merecido. Lá vai tentando fazer umas parcerias para ver se o pessoal lhe dá mais atenção na música que ele realmente representa, mas nem assim tem sido fácil. É pena, anda-se a comer com merdas na rádio e na tv e afins e isto fica de fora. Mas como ele há muitos outros.



The Wombats fazem o dia de qualquer um mais divertido. O ritmo das músicas e as letras são algo de muito bom e acho que, para além de sonoramente ser agradável ao ouvido, dá para rir um bocado.



Conheci a música quando andava a ver isto (http://randomnaturalperfection.tumblr.com/) e ficou gravado e passa repetidamente quando vou no comboio, principalmente. E pesquisem pelas cenas do Thomas Prime e do Awon, vale a pena.



Não faço a menor ideia se conhecem Chvrches ou não, mas acho que se não conhecem deviam ouvir. Têm imensa qualidade e no ouvido soa a perfeição. Depois disto podem ouvir também San Cisco, que não entra aqui mas também tem material de qualidade.



Amo esta mulher, não me perguntem porque, mas amo. A voz dela é algo de apaixonante e extremamente viciante. I dunno, fico completamente parvo das ideias. :mrgreen:

Well, fica a faltar uma parte.


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 09 Mar 2014, 21:59 
O Shaq.
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Elá, muito bem Filipee, estou impressionado! :P

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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 09 Mar 2014, 22:00 
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Está bem melhor.

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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 09 Mar 2014, 22:35 
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Há por aí umas cenas muito fixes, boa lista.

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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 09 Mar 2014, 22:40 
Brevemente a curar os "dementes" diagnosticados pelo Dinli
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Localização: Está a ver a rotunda? Então você segue, segue, segue, segue...
Está a aquecer. :P

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Nunca serás esquecido, Pedro Peixoto aka Robbie Contador (1992-2011)!!


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 10 Mar 2014, 00:17 
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Thug Life

A parte final tinha de ser dedicada à maior paixão que tenho dentro da música, que é o rap/hip-hop. Podia ter ido buscar muita, muita coisa, mas vou tentar deixar aqui apenas algumas das que mais gosto, sendo que existem certas "variações" nos estilos das músicas.



Posso afirmar que esta é a minha música preferida dentro de todos os géneros. Quer gostem do género, quer não gostem, acho que é uma música que todos devem ouvir e que, se tiver de aconselhar alguém a ouvir algo, isto está dentro, obviamente, dessas escolhas. É uma obra de arte dentro da obra de arte que é o GKMC e que, daqui a uns bons anos, toda a gente vai considerar como tal, pelo menos é essa a minha esperança.
E vão buscar a letra completa da música, é worth it.



É um dos primeiros trabalhos do Kendrick, é diferente do que ele faz actualmente mas não deixa de ser muito bom.



Não sei até que ponto isto encaixa em condições aqui, mas o Frank Ocean é outro daqueles que é um génio e a quem toda a gente devia dar uma oportunidade. O channel ORANGE é daqueles álbuns que se ouve a 1ª vez e nunca mais se deixa de ouvir, and that's Frank Ocean in general.



Ainda em Frank Ocean, adoro esta parceria. E com isto aproveito para referir os ODD FUTURE, que estão a desenvolver já há algum tempo material de imensa qualidade.



Quando me lembro de ODD FUTURE, acabo por me lembrar sempre desta música. É um bocado estúpido lembrar-me disto, mas a qualidade está lá e é um exemplo do tipo de cenas que eles vão desenvolvendo. Sonoramente soam diferente de toda a gente e isso aliado ao talento que possuem vão tendo cada vez mais visibilidade.



O The Weeknd é outro que possui um estilo de música um pouco diferente mas bastante bom. O Trilogy, de onde esta música vem, é um conjunto de 3 cd's que variam um pouco entre eles mas que valem a pena ouvir do início ao fim, sem dúvida alguma. O Kiss Land é bastante diferente, mas também é bastante bom, apesar de não entrar tanto na minha "linha de gostos".



O A$AP Rocky é alguém de quem eu até à uns tempos não iria gostar por aí além, mas dando-se o tempo e a oportunidade, dá para perceber o porque de ser alguém tão badalado na indústria. Acho que esta música é prova evidente disso e dá, para quem não conhece, "gostar mais facilmente".



O Pusha T posso afirmar que não tem ponta do reconhecimento que merecia ter. O My Name Is My Name é o melhor álbum de 2013 dentro do estilo e andou a ser "papado" por cenas que não lembram a ninguém. Mas isso também já não é nada de novo na indústria, sendo que se dá muito valor a coisas que não têm qualidade por aí além e depois o hip-hop passa por algo que não é aos olhos de muita gente.



Till I Collapse entra na linha do que para mim o Eminem fez de melhor e passa uma mensagem bastante diferente do que grande parte das cenas dele possuem. O Nate também fez um óptimo trabalho nesta música, como sempre habituou.



Não podia passar sem tornar a referir o Nas e o Illmatic. É a obra de arte do estilo e duvido que saia daí alguma vez, por muita coisa boa que seja feita.



Sim, 2Pac. Não o coloco no nível que grande parte das pessoas o põe, mas tem, sem dúvida, toneladas de material com qualidade. Se gostam do estilo, vale obviamente a pena ver tudo o que o 2Pac fez. É poesia pura a nível lírico.



Se aparece 2Pac, tem de aparecer Biggie. São estilos completamente diferentes que coincidiram e fizeram igual sucesso (a escolha das músicas é mesmo para demonstrar a diferença mais do que óbvia entre o que os dois representam). Eu pessoalmente gosto mais do Biggie, mas é uma questão de gosto.



TDE!
O Isaiah é o exemplo claro do que TDE representa. Espero que tenha sucesso, porque tem qualidade para dar e vender e vem de um passado algo conturbado, sendo que hoje em dia é homem de família, apesar de tão novo, e alguém que segue o seu sonho com unhas e dentes. Dá para perceber um bocadinho da história dele a partir deste vídeo.http://www.youtube.com/watch?v=Ji9QjLAhjVw&list=UUBY8aDToI-OBq2fe7NbwoqA



Não sou o maior fã do Schoolboy Q, de todo, mas o Oxymoron surpreendeu-me imenso e ficou-me no ouvido desde que o ouvi. É um óptimo trabalho, sem qualquer dúvida.



Esta é versão original do Control que tanto deu que falar. É genial e os versos do Kendrick tiveram um efeito único na indústria e desde aí que a qualidade tem aumentado imenso.



Jay Rock tem a voz mais especial de todos os que fazem parte de TDE, mas é provavelmente o menos compreendido pelo público em geral. Vale a pena dar uma vista de olhos pelos trabalhos pessoais dele, são algo de que gosto bastante.
(Não encontrei no Spotify, infelizmente)



O Ab-Soul é uma figura estranha, que se põe a fumar erva em vídeos do youtube antes dos concertos e cenas assim.



Não podia deixar de fora a SZA. Este é o 1º trabalho mais sério dela a solo, apesar de entrar em inúmeras coisas do Isaiah, por exemplo. É diferente de todos os outros e traz uma diversidade bastante agradável ao grupo.




É melhor acabar antes que alguém me mande à oops, por isso deixo estes 2 trabalhos geniais. TDE 4life.

http://open.spotify.com/user/pogeira81/playlist/6fLV5yPMI1qGVxsYRaDQgn


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 10 Mar 2014, 00:20 
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O próximo é o dberkie, que não sei se tem disponibilidade dado que não lhe perguntei. :P


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 10 Mar 2014, 00:47 
Ganhei uma discussão com o Alaska \o/
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Daaaaaamn boy, you nailed it!! Só é pena ter aí A$ap, eu gostei do Long.Live.A$ap, mas continuo a não ir à bola com o mano.

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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 10 Mar 2014, 14:03 
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Não tenho muito tempo, mas posso ir fazendo aos poucos. Nem que seja 4 ou 5 músicas de cada vez. Qual é o mínimo e o máximo de músicas? A dificuldade disto é mesmo conseguir escolher e resumir tudo numa lista curta.


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 10 Mar 2014, 14:05 
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dberkie Escreveu:
Não tenho muito tempo, mas posso ir fazendo aos poucos. Nem que seja 4 ou 5 músicas de cada vez. Qual é o mínimo e o máximo de músicas? A dificuldade disto é mesmo conseguir escolher e resumir tudo numa lista curta.


Não há limite, é o que o bom senso mandar :P

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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 19 Mar 2014, 02:26 
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Ora, então aqui vai. Não estou com muita vontade em fazer uma playlist da minha vida, julgo que é mais interessante imaginar que vou fazer uma viagem longa e tenho que escolher a música que me acompanha. E mesmo isso não pode ser, porque normalmente nas viagens levo metade música que conheço e metade totalmente desconhecido.

Por isso, vou encarar isto como uma tentativa de apresentar e descrever algumas das influências que tenho como músico. Sobretudo relativamente ao jazz, espero conseguir mostrar que não é um bicho feio, antes pelo contrário. O jazz aproxima-se e está na origem de muitos géneros musicais, desde o hip-hop à música clássica. Vou tentar também apresentar alguns apontamentos históricos, visto que a história da música é uma temática que me interessa imenso e que nos pode ajudar a perceber, contextualizar e interiorizar muita coisa que ouvimos.

De qualquer forma, vou deixar imensa coisa importante de fora. Mais do que fazer uma playlist de clássicos, prefiro tentar abrir as pestanas e os ouvidos para outras coisas. Playlists das 50 ou 100 melhores do século é o que não falta.

No máximo até à próxima 5ª posto a primeira parte 8)


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 20 Mar 2014, 18:51 
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Parte I - Blues

Como introdução, começo pelo blues, ou pelos blues, não sei qual a melhor tradução. Até porque a palavra "blues" pode ter vários significados dentro do vocabulário musical, tanto se pode referir a uma forma musical como a um estado de espírito, por exemplo. Para quem se interessar, deixo aqui um resumo da história do blues que tive de escrever há uns tempos atrás:

O estilo musical blues, ou os blues, é um estilo cujas origens estão ligadas ao fluxo de escravos provenientes da África Negra para o Sul da América do Norte durante o século XIX. As worksongs, cantadas pelos escravos nos campos de algodão são uma das formas mais primitivas do blues, com algumas características que se mantêm até aos dias de hoje, nomeadamente na repetição de versos numa ordem específica, na utilização de escalas pentatónicas e na utilização de blue notes. A definição comum de blue note tem sofrido alterações com o tempo, sendo frequentemente considerada uma nota de passagem entre duas notas da escala, mas na verdade a blue note original é uma nota desafinada, fora do ambiente tonal e cromático da notação convencional. Nos blues primitivos, as worksongs, as melodias eram cantadas com essas blue notes. Actualmente são utilizadas técnicas na execução de instrumentos que emulam essa desafinação, nomeadamente os bends ou a utilização de slide na guitarra, ou a sobreposição de duas notas seguidas no teclado para se “ouvir” a nota desafinada entre essas duas notas.

No início do século XX, os blues deixaram de ser só música vocal e alguns instrumentos começaram a ser utilizados regularmente, como a guitarra, o bandolim e as flautas pentatónicas. A figura do bluesman, o guitarrista-cantor de blues, começa a aparecer e a ganhar relevância como artista entre a população afro-americana. Até aos anos 40, surgem artistas muito respeitados cujas composições são tocadas por todas as gerações até aos dias de hoje, como Son House, Charley Patton e Robert Johnson. Este último é considerado uma das maiores lendas dos blues, pelo virtuosismo na guitarra e pela sua voz sofrida no limiar da dor.

Com o aparecimento da guitarra electrificada, nos anos 40, surgem novas formas de tocar. Esta novidade, conjugada com a migração de afro-americanos dos estados do Sul para a zona industrial de Chicago, trouxe novos ambientes ao blues, ainda que com imensa influência das gerações anteriores. Rapidamente os blues se espalharam a nível nacional, com alguns artistas a atingirem grande notoriedade a partir da década de 50, como T-Bone Walker, Muddy Waters, BB King, Buddy Guy, John Lee Hooker, Chuck Berry, etc.

Nos anos 60, as novidades tecnológicas contribuíram para mais uma explosão no blues, sobretudo em Inglaterra. Sem as raízes afro-americanas, os artistas britânicos fizeram-se valer das guitarras eléctricas, dos amplificadores e dos recentes pedais de efeitos para dar uma nova dimensão ao blues e à música em geral. Foi a tocar blues que se tornaram famosos alguns nomes consagrados como Jimi Hendrix, Eric Clapton (Cream), Jimmy Page (Led Zepellin), Jeff Beck, Rolling Stones, Fleetwood Mac, etc. A influência destes artistas na evolução da música nas décadas seguintes é incalculável.

Durante os anos 70, os blues viveram um período de adormecimento, devido a diversos factores, como o surgimento de novos estilos (rock, o metal, o funk, etc) que “roubaram” público aos blues, ou a morte de Hendrix e os problemas com drogas e álcool de Clapton e Page. Durante esta fase, quem manteve o blues activo foram os mesmos artistas que já o faziam nas décadas de 50 e 60, com especial destaque para os “3 reis”: BB King, Albert King e Freddie King.

Em meados dos anos 80 a popularidade do blues regressa em força, sobretudo devido a um bluesman branco de Austin, Texas: Stevie Ray Vaughan. Para além de uma capacidade vocal notável e muito apreciada (até entre a comunidade afro-americana), Vaughan era um guitarrista virtuosíssimo, que correu o mundo e influenciou inúmeros artistas desde então, de variadíssimos estilos, devido à forma invulgar como conseguia transmitir emoções e sentimentos através do instrumento. Vaughan morreu prematuramente num acidente em 1990 e, como consequência disso, os blues voltaram a cair numa época de adormecimento.

Apesar das constantes evoluções e reinvenções dos blues, alguns artistas são transversais a várias épocas. Um bom exemplo são os bluesmen actuais que continuam a tocar os mesmos blues acústicos da década de 40 e 50, como Keb’ Mo, Corey Harris e Eric Clapton, por exemplo. Apesar das várias correntes, os artistas de blues influenciam-se todos uns aos outros, sendo frequente usarem as canções uns dos outros nas suas gravações e concertos.

Actualmente vivemos um período marcado pela fusão dos blues com novas tendências e com variadíssimas denominações (ex: pop-blues, bluegrass, blues-rock, funk-blues, etc..), em que a popularidade dos blues parece estar em novo crescimento. Para isso têm contribuído as novas gerações de guitarristas que, sem excepção, procuram seguir o legado de Stevie Ray Vaughan. Derek Trucks, John Mayer, Joe Bonamassa, Jonny Lang e Gary Clark Jr, entre outros.

As temáticas das canções mantêm-se bastante semelhantes desde os primórdios do “blues”, com letras simples que tratam de aspectos populares como trabalho, sofrimento, religião, sexo e amor. A influência dos “blues” na música popular do século XX é enorme, visto que as suas ramificações e fusões com outras sonoridades estão na origem de inúmeras estilos, desde o jazz ao metal, mas sobretudo contribuíram para a evolução do pop-rock.


Começo por duas versões acústicas que, apesar de actuais, representam o "Delta Blues", ou seja, o blues que se tocava e cantava nos campos junto ao Mississipi. O 1º vídeo é retirado do documentário do Scorcese sobre as origens do blues (vale a pena ver), e é uma colaboração entre dois blueman's excepcionais: Corey Harris e Keb Mo. O 2º vídeo é uma versão de "It hurts me too" tocada pelo Keb Mo num festival em Itália. A alma com que estes gajos tocam e cantam cria um ambiente que nos transporta (pelo menos para quem conhece a história) para os campos do Mississipi. Isto para mim é a base, tudo se constrói a partir deste tipo de blues acústico.





Segundo a história que o próprio conta, o BB King fugiu dos campos de algodão apenas com a guitarra e 2 ou 3 dólares no bolso, quando ainda era muito jovem. Foi parar a Memphis, e o resto é história: tornou-se no rei do blues e numa das personalidades mais conhecidas e respeitadas no mundo inteiro. A sua influência é gigantesca, ao ponto de personalidades tão carismáticas e egocentricas como Jimi Hendrix ou John Lennon admitirem várias vezes que o invejavam. Lennon, o mesmo gajo que afirmou "sou mais conhecido do que Deus", dizia pouco antes de morrer que tudo o que ele queria era tocar guitarra como o BB King. A principal característica do BB King é tocar poucas notas, mas tocar as notas perfeitas. Dele diz-se que "pode fazer uma nota soar por mil".

Ora, uma das primeiras vezes que BB King viu e ouviu uma guitarra eléctrica ela estava a ser tocada por T-Bone Walker, e foi nesse momento que decidiu que queria tocar blues o resto da vida. Para mim, T-Bone é o verdadeiro pai de todos os guitarristas eléctricos no blues. Hoje ouvimos John Mayer ou Gary Clark a tocar e achamo-los incríveis, as frases e os licks deles ficam no ouvido. Na verdade, muitas dessas frases já eram tocadas por T-Bone Walker há mais de 50 anos atrás, e são transversais a quase todos os guitarristas de blues desde essa altura até agora.



Neste vídeo do BB King ele toca muito pouco, mas adoro a interpretação dele como se estivesse mesmo a contar uma história. Se o querem ver a tocar a sério, vejam isto a partir dos 9:00, ele dá uma tareia ao John Mayer, que a certa altura não sabe bem o que fazer



Eu comecei a ouvir blues desde pequeno, por influência do meu pai, que já esteve várias vezes no Buddy Guy's, um dos bares de blues mais famosos de Chicago. Ele tinha cassetes com muito blues, sobretudo BB King e Eric Clapton. Clapton é um caso único, começou com menos de 20 anos e rapidamente se tornou numa referência, ao ponto de ter que gravar em bandas sob anonimato (Derek & Dominos, Totally Dysfunctional Family) para que a sua reputação não influenciasse a aceitação do público. Como todos os guitarristas de blues, o som do Clapton é inconfundível e facilmente foi descoberto. No meio de todas as desgraças da vida dele, ele construiu uma carreira ímpar, apesar de, julgo eu, se ter tornado um guitarrista preguiçoso que raramente voltou a atingir o nível de quando tinha vinte e poucos anos. Escolhi 3 temas dele, os dois primeiros porque me parecem os momentos da carreira dele onde ele se mostrou em melhor forma: no concerto no Hyde Park em 96 e no concerto de reunião dos Cream em 2005, mais de 30 anos depois de se terem separado. Para mim, isto é o Clapton no seu melhor, killer instinct, a puxar pela strat ao máximo. O último tema é simplesmente um dos meus preferidos, além disso ele toca sem palheta e com uma Gibson ;) O original dele está no álbum "From the Cradle", para mim o melhor dele por larga margem. Quem gosta de blues, não pode perder este álbum.







Do Jimi não vou falar muito, apenas vou chamar a atenção que em apenas 3 anos de carreira a solo deixou um legado que dura até aos dias de hoje. Tem imensa coisa editada, sobretudo porque a família dele tem lançado as gravações dele aos poucos desde a sua morte, e ao que parece vão continuar a fazê-lo. Jimi é blues, Jimi é rock, Jimi é soul, Jimi é virtuosismo, Jimi é psicadélico, Jimi é singer-songwriter, Jimi é isso e muito mais. Podemos não gostar de tudo o que ele fez, mas se formos a ouvir a discografia dele, de certeza que vamos encontrar alguma coisa que nos fascina. Julgo que é assim com toda a gente. Os 2 primeiros temas que escolhi são versões menos conhecidas e os outros dois são dois bons exemplos de como ele estava muito à frente do seu tempo como guitarrista.









Stevie Ray Vaughan é o próximo herói da lista, outro com uma carreira relativamente curta. Ele é uma referência tão grande e tornou-se tão aclamado na comunidade do blues negro e branco que é difícil encontrar alguma música que não seja minimamente conhecida para está por dentro do blues. Optei por escolher as minhas preferidas. Só uma nota, a "Gravity" do John Mayer tem origem nesta "Lenny". Como dizem num comentário no vídeo, "Never seen so much love and passion and soul go into a performance."







E chegamos ao blues mais moderno, da malta da nova geração que já mistura outras coisas ao blues. Por um lado porque têm muito mais influências e cada vez mais diversas, por outro porque têm que se inserir no mercado e adoptar as origens do blues à necessidade de venderem discos e concertos.





Clapton com Bramhall, Derek Trucks e Steve Jordan na bateria.



As minhas preferidas do John Mayer







Outras...







O blues fica por aqui, ainda que haja muita coisa por dizer. Espero arranjar algum tempo na próxima 4ª ou 5ª feira para postar a próxima parte 8)


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 22 Mar 2014, 00:50 
Cicco
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Mensagens: 27694
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Nunca foi o meu género de eleição, mas os posts do dberkie levam-me sempre a ouvir a música. Vou ter que arranjar tempo para elas todas, mas está um grande, grande post! :prayer:


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 22 Mar 2014, 02:00 
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Mensagens: 21448
Que brutalidade de tópico. Só agora é que comecei a ler e a ouvir as playlists e estou a gostar bastante. Comecei pela do Dberkie :shock: Depois vou ler a do Sican porque é muito parecida com o meu género. Depois acho que vou ler a do marco, mas já vi que é enorme, vai demorar algum tempo.


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 Assunto da Mensagem: Re: Playlist de...
MensagemEnviado: 26 Mar 2014, 20:56 
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Excelente como eu estava a espera. :P

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