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Campeonato Nacional de Contra-Relógio 2015
Não sou de vir para o facebook com grandes relatos mas existem episódios que não posso deixar de comentar.
Tenho tentado sempre cumprir o meu papel, enquanto empresário na área e amante do ciclismo, de promover e apoiar o meu desporto. Enquanto praticante, não compito a um nível profissional mas a minha licença desportiva tem o número 18357 e cerca de 17 ou 18 anos de filiações interruptas.
Para a época de 2015 tomei a decisão de me federar como elite com o sentido de participar no omnium na Pista (que apenas existe para a categoria de Elite) e em sequência participar no Campeonato Nacional de Contra Relógio também como Elite, situação prevista no regulamento da Federação Portuguesa de Ciclismo.
A dois dias da prova, que se realiza sexta feira, sou confrontado com um telefonema do organizador dos Campeonatos Nacionais, a pedir-me que entendesse mas que não poderia participar uma vez que tinham ciclistas a mais inscritos para a prova de Contra Relógio. Esta situação não está contemplada em nenhum tipo de regulamento e não foi mencionada quando no início da época a Federação Portuguesa de Ciclismo aceitou o pagamento da minha licença desportiva. Enfim....
Muito mais grave que tudo isto, é o teor do telefonema do organizador, em que põe em causa as minhas motivações, que desconhece, para participar nos ditos Campeonatos, usando argumentos como "em Espanha os ciclistas amadores não competem com o Valverde", tristemente não temos em Portugal um ciclismo como o Espanhol que são uma das maiores potências do ciclismo mundial, com uma volta a Espanha que é um dos maiores eventos desportivos mundiais.
Em Portugal temos um ciclismo profissional quase inexistente, sombra dos grandes Campeões Portugueses que actualmente se encontram ao serviço de equipas estrangeiras. Temos uma volta a Portugal que nenhuma equipa profissional estrangeira de primeiro plano quer vir competir, temos um ciclismo interno que não forma novos talentos e não dá condições aos que actualmente existem para se desenvolverem.
É um desporto envelhecido e cheio de barreiras e lobbies que afastou a grande maioria dos potenciais sponsors, estando longe daquilo que temos a oportunidade de ver com regularidade nas transmissões internacionais, e que reflecte a sua fragilidade em situações como esta que descrevo, em que de uma forma simples se saltam regras e regulamentos e se usam argumentos "em Espanha os ciclistas amadores não competem com o Valverde".
Sem me querer alongar mais, acho que o ciclismo português merece muito mais e melhor de quem o governa.