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No geral concordo com o Dinli. Julgo que a selecção esteve bem no jogo na primeira parte. Criou oportunidades suficientes para ganhar o jogo. Tanto o Nani como o Ronaldo tiveram ocasiões para finalizar, e mesmo os médios tiveram aqui e ali algum espaço para rematar de fora. Os laterais envolveram-se bem, o Vieirinha na primeira parte o Guerreiro na segunda. Houve alguma dificuldade em lidar com as segundas bolas quando a Islândia batia longo os avançados, mas é normal que tenha sido assim, esse é o momento do jogo em que a Islândia é mais forte. O golo sofrido abalou a confiança e a partir daí a equipa perdeu um pouco do discernimento e quis chegar demasiado rápido à frente. Mas ainda assim criaram situações para finalizar, pelo que não me parece que tenha sido uma exibição assim tão má. A Islândia só criou perigo em lances que a nossa defesa se posicionou mal ou estava a dormir, são erros que se corrigem, pelo menos o estar a dormir corrige-se.
É o primeiro jogo, emocionalmente é um jogo difícil. Contra uma Islândia combativa e confiante, apesar de cometer erros defensivos e de dar demasiado espaço nos cruzamentos. Faltou mais jogo interior, mais capacidade para jogar entrelinhas com vários apoios dentro para evitar o passe previsível para o lateral. Para isso é preciso que os médios se mexam e que os avançados saibam quando esticar e quando chegar perto. O Nani faz isso razoavelmente, o Ronaldo nem por isso. Mas é esse jogo interior que vai permitir que a bola chegue ao Ronaldo em situação de finalização, não em momento de construção.
Mas isso são coisas que se treinam nos clubes, por mais explicações tácticas que o seleccionador faça os jogadores com o passar do jogo acomodam-se ao que estão habituados e treinados. Tal como o posicionamento defensivo. No lance do golo o Pepe abandonou a linha defensiva e foi atrás do avançado sem necessidade nenhuma, o Vieirinha viu o espaço vazio que o Pepe deixou e deu uns passos em frente, que foi o suficiente para o deixar em terra de ninguém. Numa defesa treinada isto não acontecia. Tanto num Real Madrid, que defendem mais com referências individuais (porque tanto Pepe como Ramos são fortíssimos nos duelos), como numa equipa que defenda à zona.
Julgo que o João Mário tem que entrar mais dentro, mas é preciso que um dos avançados abra no momento certo e que os próprios laterais ataquem o espaço, ao invés de se manterem na mesma linha do Danilo. Como isso raramente aconteceu, o João Mário fixou-se na ala, perdendo a sua influência na construção, onde para mim ele é superior a todos os outros. Foi substituído na fase em que começou a render e a combinar bem com o Guerreiro.
Não me parece que trocar o que quer que seja vá melhorar o rendimento colectivo só porque sim. Nem o Renato tem mais capacidade para jogar entre linhas do que o Moutinho, longe disso até, nem o William ia entrar mais no jogo do que o Danilo (nunca o fez na selecção) nem ia ser mais forte nas segundas bolas. Nos próximos dois jogos vamos ter que lidar com situações semelhantes, adversários muito juntos e a aproveitar as nossas perdas de bola para atacar o espaço. A única alteração que admito que possa melhorar a equipa, neste contexto de termos 2 adversários mais fechados, é mesmo a entrada do Rafa pelo André Gomes, mas apenas pelas características do Rafa, que tem mais chegada na frente e mais capacidade para acelerar, não porque o André mereça sair porque tem estado a crescer de jogo para jogo. Admitia também a entrada do Fonte pelo Pepe, mas neste caso é só por gosto pessoal. O Pepe é um central de top, mas o facto de ter tantas qualidades técnicas e físicas é que faz com que por vezes estrague o posicionamento da defesa no seu todo, porque ele acredita que chega à bola e sai da posição, quando um outro central não ousa sair para evitar ser batido. Na maioria das vezes o Pepe acaba por ter sucesso no corte, mas quando não consegue a defesa fica desamparada. Acontece o mesmo com centrais como David Luiz, Sérgio Ramos, Kompany, por exemplo. Sentem que têm a capacidade para ganhar o lance e saem da posição, jogam no risco.
Quando apanharmos adversários mais fortes, aí sim acho que vamos ter que ponderar outro tipo de jogadores para algumas posições, porque dividir o jogo ou ter que assumir o jogo contra equipas fechadas precisa de soluções diferentes, a defender e a atacar.
edit: Não falei do Quaresma porque não sei como vai estar fisicamente, mas também pode ser solução nos próximos jogos. Embora depois do golo do Nani não acredite que o gajo o vá sentar.
Editado pela última vez por dberkie em 15 Jun 2016, 14:50, num total de 1 vez.
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