Comecei a acompanhar ciclismo na Volta a França de 2007 porque aquelas estrelas todas eram boas demais para não se ficar convencido. Contador, Rasmussen, Vinokourov, Boonen, Hushovd, Freire, Soler, Cancellara... e desde aí que o Tour de 2007 é o meu preferido seguido do Giro de 2008. Apesar de vibrar muito mais na altura do que nos últimos anos, nunca tinha acompanhado uma prova da forma que acompanhei esta Volta a Itália. Todos os dias às 10 da manhã eu enchia o PC da empresa com virus à procura de streams mais ou menos manhosas para acompanhar o que o João e o Ruben andavam a fazer. Normalmente na Volta a França vou espreitar para ver os nomes da fuga, mas aqui não chegava, era preciso perceber quem tentava fugir, quem tentava perseguir, como é que a Quickstep se portava na defesa da Rosa, como é que estavam as sensações do João (nunca o ter visto subir uma montanha deixava muitas expectativas, houve dias em que tanto podia quebrar a duas horas do fim como chegar com os melhores). Enfim, andámos todos a ver lutas por segundos e terceiros lugares em sprints intermédios e contagens de terceira categoria para ver os que os nossos miúdos faziam.
Para além disto, o evidente entusiasmo dos portugueses pelos resultados. Comunicação social, jornais, grupos nas redes sociais... tudo a tentar perceber quem eram estes dois desconhecidos e o que estava aqui em causa. Dei por mim a falar com amigos de sempre que nunca viram ciclismo e estavam muito curiosos. Às vezes lembrava-me daqueles vídeos famosos de raparigas a tentarem explicar um fora-de-jogo e fazia-me lembrar a leitura que algumas pessoas faziam da corrida onde não haviam diferenças aparentes entre etapas de montanha ou etapas planas.
As duas etapas finais de montanha do Giro foram do melhor que tenho visto, com mexidas antes da última subida, aglo que desamarrou completamente a corrida e mostrou quem tinha unhas para tocar viola. Não é todos os dias que se vêm diferenças daquelas a serem feitas. Por fim, o facto de ver o João a chegar em 7º lugar no Stelvio marcou-me na medida em muitas vezes esquecemo-nos de dar valor ao que certos ciclistas que não vencem conseguem fazer. Aquele 7º lugar foi muit bom! E se descermos mais na classificação encontramos mais gente a quem dar imenso mérito e por diferentes motivos. Dar valor aos adversários é uma forma de enaltecer o que o João fez e muitas vezes assistia-se ao contrário. Quanto ao futuro, espero que o João seja um bom ciclista e consiga andar com os melhores. Aquilo que vivemos estas 3 semanas já ninguém nos tira.
