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Quanto ao traçado, não varia muito, é verdade, com a estrutura prólogo-Senhora da Graça-Torre-contra-relógio (este ano lá mudaram a ordem), mais alguma etapa de média montanha. Não temos uns Alpes, uns Pirenéus ou maciço da Serra Nevada, mas temos uma rica variedade de pequenas montanhas, a que podemos chamar média montanha. Nesse sentido, por falta de grandes montanhas, os organizadores tem de repetir os mesmos finais decisivos. Também não temos uma grande variedade de verdadeiras montanhas, por cima dos 1.000m, para ser incluídas no percursos como decisivos. Faz falta um traçado diferente, inovador. A primeira questão é encontrar possíveis subidas e chegadas em montanha, que não as tradicionais Serra da Estrela e Senhora da Graça.
Mas, independentemente do percurso, estamos a falar de uma das provas mais duras de todo o calendário internacional, pelo altíssimo ritmo competitivo, pelo duro traçado, pelo elevado número de dias de competição, pela atitude dos corredores e pelo extremo calor. Qualquer grande figura internacional que já a disputou está ciente disso. E os que aqui vieram com a ideia de preparar outra corrida, como a Vuelta, não voltaram, pois deixaram metade das forças nas estradas portuguesas. Como sempre, nas primeiras etapas, vemos as equipas estrangeiras a pensarem que isto são favas contadas, até que um Cândido ou um Sérgio Ribeiro... lhes mostrarem que, para ganhar aqui, tem que andar a outro nível. E se olharmos para Saur-Sojasuns, Carmiooros, Lampres, reconhecemos ciclistas que aparentam ter mais qualidade que os portugueses.
Quanto à participação, a Volta sempre foi uma questão mais "nacional". Ou mais ibérica. Dificilmente encontram uma prova onde seis das equipas participantes (agora quatro) ponham todas as suas forças, deixando de lado qualquer outra corrida, para cumprir estes doze dias. A atitude é o essencial. Eu, pelo menos, acho que é preferível ter cá equipas modestas, mas com ambição de vencer, do que craques de Pro-Tour a trabalhar para o bronze. Por isso, acho que a redução de escalão nos quadros da UCI foi uma medida inteligente. No antigo quadro, categoria 2.HC, só trazia maiores encargos à organização... e em termos de participação de equipas estrangeiras, não se pode dizer que tenha havido um incremento de qualidade. O ano passado, menos este ano, considero que tivemos um pelotão muito bom.
Por último, o público. A Volta é um acontecimento de massas. Tirando, talvez, as grandes voltas e as grandes clássicas, não há nenhum outro pais que paralise para seguir uma prova, como nós fazemos com a Volta a Portugal. Se estiverem atentos, acho que se tem bem a percepção do número de pessoas que estão à beira da estrada na Senhora da Graça ou Nossa Sra. da Assunção. Não deve nada a uma chegada ao Tourmalet.
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