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Como é óbvio não sei o que se passou, existe muita informação diversa. Mas o que sei é que houve uma confusão dentro dos carros e julgo que era difícil ter a certeza se a corrida tinha sido neutralizada ou não. Depois disto é preciso perceber em que condições é que os carros comunicaram com os corredores, no meio de tanta confusão e interferências nos rádios (segundo o Rolland).
Portanto, apesar de compreender o ponto de vista do Lefevre, apesar de achar que ele tem o direito de se sentir indignado porque não deu as melhores instruções à equipa naquela confusão gerada pela indefinição da organização, julgo que há dois ou três pontos que me fazem pensar que a vitória do Quintana/Rolland/Hesjedal foi legítima e que não deve ser retirado tempo:
- Um líder de corrida não pode ser descuidado. Se a corrida era para ser neutralizada, a equipa do Uran tinha que estar na frente a proteger o pelotão. Não seria a 1ª nem a 2ª vez no ciclismo que alguém ataca quando o pelotão pára por qualquer motivo. Não sei se a culpa é do Lefevre ou do próprio Uran, mas a verdade é que falharam ao perderem o Quintana de vista. Ou não tiveram pernas para acompanhar os ataques (também não tiveram pernas para encurtar a distância, quando na frente só trabalhavam Sicard e Izaguirre). Com ou sem neutralização, é um erro crasso, o Quintana era a maior ameaça nesta etapa.
- O Rolland tem uma certa razão. A corrida esteve para ser neutralizada à partida. A decisão foi prosseguir com o plano original, porque a etapa completa não tinha condições suficientemente perigosas para ser cancelada, não era suficientemente perigosa para colocar em causa a saúde dos corredores. Ora, então obrigaram o pelotão a subir o Gavia, a descer o Gavia, a subir o Stelvio, e vão neutralizar a etapa depois dos corredores chegarem ao topo??
- Havia corredores em fuga. Vários até, e iam separados em pequenos grupos, não iam juntos. Faz sentido proteger o pelotão com uma mota a sinalizar perigos e não proteger os corredores que iam escapados? Em que diferiam as condições da estrada e do tempo dos escapados para o pelotão? Perante estas dúvidas faz sentido algum DD acreditar que a corrida tinha sido neutralizada só para o pelotão?
- É sabido que em algumas descidas as motos têm mais dificuldades dos que as bicicletas. É frequente vermos as motos a serem ultrapassadas pelos corredores nas curvas e só recuperarem quando podem acelerar. Ontem duvido que as motos pudessem acelerar muito, porque a primeira fase da descida era muito sinuosa e porque a travagem era ainda mais difícil do que é habitual. Mais difícil para as motos do que para as bicicletas. Admito que tenha havido um momento em que a mota teve que travar mais e que tenha sido ultrapassada pelos primeiros do pelotão, e que nunca mais tenha conseguido recuperar essa distância no meio da confusão.
- Admito também que tenha havido corredores que não prestaram atenção à bandeira vermelha da moto. No meio da neve, da chuva, do público, das descidas perigosas, da escolha certa da trajectória, dos rádios intermitentes, acredito que haja pormenores que escapem à atenção dos corredores. Acredito também que tenham sido estes os factores que impediram o Uran e os outros líderes de ter atenção ao posicionamento do Quintana e do Rolland.
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