MarcoAZB Escreveu:
A chegada destes dois à final deixa uma questão importante no ar: durante quanto mais tempo é que esta geração de 92 (Higgins, Williams e Ronnie) pode manter o rendimento que tem tido ultimamente?
Hendry aos 30 e tal já era uma sombra do que tinha sido, Davis igual aos 30 e 8 para depois reaparecer a bom nível durante um par de anos aos 47/48. Jimmy White e Alex Higgins aos 41. Os tempos eram outros, e esta época por parte destes 3 é dose, mas questiono-me por quanto mais tempo é que vamos conseguir ver estes gajos a bom nível.
Caso o Higgins vença o Mundial, iguala os 5 do Ronnie. No entanto, acho que dificilmente um deles iguala os 7 do Hendry antes de se retirar.
O Ronnie já disse também que quer chegar aos 1000 centuries antes de se retirar. A questão é que já não falta assim tanto para isso.
A questão do binómio rendimento-longevidade na carreira de um desportista, especialmente no snooker, tem-se mostrado bastante premente, em especial porque talvez metade dos torneios desta temporada (e até podemos incluir participações em finais) foram arrecadados por quarentões.
Acho que também falta uma geração de trintões e até vintões que consiga destronar consistentemente estas vedetas. De talentos puros, destaco Ding e Trump; de consistência de nível, Selby e Allen. Entre os Bingtaos e os Wilsons (uma boa mistura de talento e de consistência) que vêm aparecendo, falta quem consiga firmar-se de forma válida. Isto também ajuda a que os veteranos prossigam até rondas avançadas e até ganhem torneios.
No entanto, o próprio rendimento por mais anos de carreira é uma efetividade, em especial quando o trabalho de casa é mais bem feito e a profissionalização do desporto já se prolifera por uma temporada e não por espaços. Também ajuda a um comprometimento maior à causa, mais um trabalho assíduo.
Em suma, diria que estes jogadores só serão "ultrapassados" quando também surgir competitividade à altura, que consiga arredar consistentemente os mais velhos. Não tem havido esse fulgor de novos jogadores (é consultar o top-16) e a geração de '92 prossegue a alimentar o seu legado. Daqui a cinco anos, ou alguém atinge o ponto de maturidade da sua carreira, isto dos jovens que estão em competição (nem falo de Selby, porque também ele costuma ter uma fase na temporada em que se eclipsa totalmente), ou teremos a imprevisibilidade ainda mais no pico.