Entrevista com o Contador acerca da LBL.
Que esperas conseguir no próximo domingo?Não sei, é um pouco uma incógnita como vou responder. O meu objectivo continua a ser ganhar experiência, porque para tentar ganhar aqui é preciso mais experiência e conhecer melhor o percurso. Sou uma incógnita.
Que achas de corredores que irão disputar o Tour já estarem competitivos nas clássicas?Parece-me bem. É bom que corredores como Evans, Nibali ou os irmãos Schleck estejam aqui. Para mim é a primeira vez que incluiu estas corridas no meu programa e também estou consciente de que o resultado destas clássicas é totalmente diferente ao que se sucederá em Julho.
É importante o resultado para ti?Claro, estou sempre contente quando estou na frente, mas estes resultados não influenciam em nada a minha preparação e rendimento que possa ter em Julho. É o mesmo ser terceiro ou 30º.
Que vais fazer depois das clássicas até ao Tour?A planificação não está feita ainda, mas sobretudo vou me basear em concentrações e nos reconhecimentos das etapas dos Alpes e Pirineos, para além de correr o Dauphiné e fazer o ultimo set-up na Serra de Madrid.
É um problema para ti os 260 quilómetros da LBL?É certo que para muitos corredores há uma barreira a partir dos 220 quilómetros, mas isso depende do dia que tenhas, etc. Eu penso mais nos problemas da alergia, porque para estes dias dão melhor tempo que na Fleche e isso pode-me trazer mais dificuldades.
A que és alérgico?Ao pólen, é uma alergia primaveril, durante o mês de Julho não tenho problemas.
Depois do terceiro lugar na Fleche, tens vontade de voltar a tentar ganhar uma clássica como os grandes ciclistas de outros tempos?Sim, claro. No futuro quero voltar para tentar conseguir ganhar alguma destas clássicas, porque são corridas muito importantes, com muita historia e toda a gente gosta de ganhá-las. Se o meu calendário for compatível, gostaria de voltar a cem por cento de forma.
Já ganhaste três voltas por etapas este ano. Em relação ao Tour, em que forma te encontras, que percentagem?Não gosto de falar em percentagens nem sei exactamente, mas é verdade que ao Tour espero chegar com uma preparação óptima e espero que o meu nível seja superior ao actual.
Foste reconhecer a etapa de pavé?Ainda não. Iremos na próxima quarta vê-la e experimentar material novo.
O mesmo que o do Cancellara?Sim, o mesmo, embora as pernas sejam diferentes.
Tens medo dessa etapa, dizem que pode ser o teu único ponto fraco?É uma etapa da qual se fala muito e tenho respeito por ela, sei que será complicada, difícil de estar concentrado a cem por cento e de muita tensão, mas não me faz perder o sono.
A equipa está muito bem, isso da-te confiança?Isso sempre ajuda. A equipa está a funcionar na perfeição, estão voltados para o Tour e também para outras corridas como estas. Claro que isso dá-te mais tranquilidade e ajuda-te a preparares-te melhor.
Por um lado, parece que há uma grande diferença em relação à tua situação na equipa do ano passado, isso dá-te mais tranquilidade? E, por outro lado, Cancellara disse que no pavé vai levar os irmãos Schleck às costas e que isso deixará os trepadores em maus lençóis, que tu achas?Claro, tenho muito mais tranquilidade que no ano passado e, quanto ao Cancellara, se vai levar às suas costas os irmãos Schleck, penso que as tem suficientemente grandes para cabermos os três.
Evans disse que pode tentar ganhar o Giro e o Tour no mesmo ano. Que tu achas, gostavas de tentá-lo?Sim, seguramente que com uma boa preparação se podem correr as duas provas com possibilidade de ganhar. Mais à frente sim, tenho pensado tentar o Giro e Tour ou também Tour e Vuelta.
Uma pregunta sobre Armstrong. Estiveram juntos no Critérium, que impressão te causou, falaram?A impressão foi a mesma que qualquer outro corredor do pelotão e não, não falámos porque não nos cruzámos em nenhum momento.
Vais correr a LBL com o Vinokourov, que já a ganhou. Que pensas acerca de tê-lo ao teu lado, já falaste com ele?Não, só chega esta noite, o Vino vem em muito boa forma depois de ter ganho o Trentino. Tenho muita vontade de correr com ele e, alem disso, assim teremos duas opções na equipa o que é bom para ambos.
No caso de teres possibilidades de ganhar, como gostarias de chegar, em solitário ou discutir ao sprint?A escolher, prefiro chegar sozinho. Com corredores como Valverde ou Cunego, que são mais rápidos, era mais difícil, mas com trepadores como Andy Schleck ou Igor Antón talvez teria mais possibilidades.
Viste o Gilbert ganhar a Amstel na televisão, é um favorito para a LBL?Não pude ver porque ainda estava a correr a Castilla y León, mas claro que é um claríssimo favorito para ganhar a LBL, porque corre em casa, está preparado a 200 por cento e joga grande parte da sua temporada nesta semana. É um claro favorito.
Foste o mais jovem a ganhar as três grandes, porquê o teu interesse em ganhar também a Fleche ou a LBL?Porque estas corridas têm um grande prestigio. Em voltas por etapas tenho bastantes vitorias, mas nunca ganhei nas clássicas. Além disso, também a pressão da imprensa (risos) fez com que estivesse aqui… Estas corridas têm um encanto especial.
És o número um, especialmente este ano, quase onde vais, ganhas. Como te sentes quando não o fazes, como na Fleche?Sinto-me totalmente normal, porque o habitual é não ganhar, o que não é normal é ganhar sempre. Na Fleche faltaram-me 70 metros e quando estás tão perto queres aproveitá-lo, mas tenho consciência da dificuldade que é ganhar qualquer corrida e por isso quando não ganho estou contente à mesma no hotel.
Já viste o percurso do Dauphiné, será um objectivo a 3 semanas do Tour?Vi um pouco e sei que sobe o Alpe D’Huez, mas o Dauphiné é uma corrida que a faço sempre com tranquilidade e este ano será igual. Lá penso no Tour e não vou acelerar a minha preparação para ganhar o Dauphiné, onde vou chegar mais justo de forma.
Que nova imagem é a que tens no chapéu?É o meu novo logo, que simula a mão com que disparo para celebrar as vitorias. A partir de agora vai estar sempre ligado a mim na bicicleta, sapatilhas.. em tudo.
Qual é a subida mais difícil da LBL, onde se vai decidir a corrida?Nunca se sabe. Nestas corridas há vezes em que se ataca desde muito longe e outras mais perto, mas a subida mais difícil parece-me que é a da Roche aux Faucons, onde atacou o Andy Schleck em 2009. É a mais exigente e aparece depois de 240 quilómetros nas pernas. Se a selecção não se fez antes, vai ser feita aqui.
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